Fotografar com luz natural pode ser um grande desafio, o que faz com que as situações encontradas em externas sejam ideais para um aprendizado muito eficiente sobre iluminação de retratos. Vários fatores interferem na variação de luz, como o ângulo do sol ao decorrer do dia; os objetos do ambiente, que modificam a luz refletida; o clima de cada região do país e a quantidade de nuvens no céu. Num estúdio é possível fazer todos os ajustes necessários para a luz perfeita, e a situação é bem mais confortável para o fotógrafo. Mas como não são todos que possuem um espaço específico e equipado para trabalhar, a solução é usar a luz do sol, que, além de tudo, é gratuita.
O melhor horário
A maioria dos fotógrafos que trabalha em externas concorda que a melhor luz para retratos é a da manhã e da tarde, quando o sol está mais baixo. Nesse horário, a luz é lateral e tem a temperatura de cor mais amarelada, o que dá um brilho e um tom muito agradável no rosto de quem está sendo fotografado. Eu, particularmente, gosto muito de fotografar entre das 16:00h e o último raio de sol. Durante esse tempo, a luz pode ser facilmente controlada e aproveitada das formas mais criativas, seja para fazer uma silhueta ou um flare, por exemplo.
Horários próximos ao meio dia são pouco atraentes para retratos porque, como o sol está no pico, a luz vem de cima e causa sombras muito curtas, especialmente sobre os olhos, o que pode parecer olheira. Não situações em que não se dispõe de outro horário, a solução é utilizar rebatedores.
Rebatedores: Quais existem e como funcionam?
Fotografar em externas é sempre um desafio porque tudo depende das condições naturais da locação. Isso não significa, necessariamente, falta de controle sobre os resultados. Quando a condição de luz não é favorável ou não estava como planejado, uma das alternativas é utilizarrebatedores. Bastante portáteis, rebatedores também são muito baratos e podem ser encontrados em diversos diâmetros (lembrando: quanto maior for o plano onde a luz for rebatida, mais eficiente será o resultado de iluminação de preenchimento).
Os rebatedores são utilizados principalmente para neutralizar as sombras duras, produzindo um padrão na iluminação do retrato. O uso desse equipamento equilibra a exposição entre o modelo e fundo, dá precisão às cores, nitidez e suaviza de sombras e reflexos.
Um kit de rebatedores vem, geralmente, com quatro ou cinco itens: um difusor, um rebatedor branco, um prateado, um dourado e, em alguns casos, um bloqueador preto, cada um com uma função bem específica: O rebatedor branco oferece uma luz bastante suave e difusa para o retrato, suavizando sem eliminar as sombras. O dourado reflete a luz num tom amarelado, o que o torna ideal para fotos no pôr do sol. Já o prateado trabalha como um refletor, equilibrando a luz e funcionando quase como uma segunda fonte de luz; dá mais contraste e elimina mais sombras. O difusor, que é transparente, é colocado na direção da fonte de luz e antes da pessoa (por exemplo: entre a luz do sol e o modelo). O preto é um bloqueador, que é usado caso exista algum refletor natural no ambiente, como uma parede branca ou areia. O kit 5x1 pode ser encontrado por pouco mais de R$100,00 no Mercado Livre. É um ótimo investimento!
Dica caseira de ótimos rebatedores: placa de isopor (rebatedor branco) e placa de isopor com papel alumínio colado (rebatedor prateado).
A luz da janela
Apesar de ser uma fonte de luz muito variável, que muda de acordo com a quantidade de nuvens no céu, a luz vinda de uma janela é uma das mais favoráveis para se fazer um retrato. Em dias nublados, a janela funciona como um grande softbox, incidindo uma iluminação bastante suave, mas com contraste agradável, sobre a pessoa. Com o posicionamento certo, sem deixar o modelo exatamente de lado, e com um rebatedor, essa luz pode suavizar imperfeições e dar um resultado fantástico.
Caso a luz esteja entrando direta, em horários como o início na manhã ou o fim da tarde, onde o sol está baixo, a solução para ter uma iluminação suave é uma cortina de tecido branco, mas levemente transparente para que haja passagem de luz.
Por sua luz ser direcional, posicionar o modelo diante da janela pode ser um dos aspectos mais complicados dessa situação. A melhor opção é deixar o rosto do fotografo levemente virado para a direção da janela, evitando sombras muito marcadas no lado oposto do rosto. Além disso, por ser uma luz que desvanece fácil à medida que nos afastamos, convém posicionar o modelo a, no máximo, cerca de 1,5m da janela. Essa condição oferece ao fotógrafo uma luz mais suave e possibilidades mais criativas de perspectivas e composições.
Formas criativas de usar a luz natural
• Flare: produzido pela luz que invade a lente pelas laterais, essa pode ser uma alternativa bem interessante para o retrato, principalmente se combinada com um contra luz. O segredo deste efeito é o posicionamento da câmera, que deve ser apontada para o sol e deslocada levemente para um dos lados. Para evitar o flare, basta usar um pára-sol.
• Contra luz: Para conseguir um contra luz ou uma silhueta, basta colocar o fotografado exatamente à frente do sol. É uma ótima dica para explorar o pôr do sol na praia com pessoas caminhando ou amigos. Quem deseja evitar o contorno duro, preto, sem informação, pode ligar o flash da câmera numa potência baixa e usá-lo como preenchimento.
fonte: Fotografe Uma Ideia!







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